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Efeitos colaterais da lua cheia

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 24.03.09

 

Mais do que uma comédia romântica, Moonstruck é uma inspiração, a meu ver, para quem desistiu de arriscar qualquer relacionamento, porque estão todos condenados ao fracasso ou porque não se tem sorte. Esta é a convicção de uma viúva que trabalha como contabilista e vive no casarão dos pais. (E este é o papel da Cher, sem dúvida!)

Moonstruck é igualmente uma fonte riquíssima de lines cómicas, do início ao fim. Animaram-me muitos dias cinzentos. Tantas vezes revi este filme, que acabei por memorizá-las. E penso que ainda as sei de cor.

 

Estas personagens representam alguns tipos de comportamento da comunidade italiana mas, na sua essência, são universais.

A solidão assumida e desencantada de algumas mulheres.

A crise masculina da meia-idade e a conquista de mulheres mais jovens ou mais fogozas.

A mulher traída e negligenciada.

O solteirão menino-da-mamã.

A mãe possessiva e egoísta.

O jovem sensível e revoltado.

O patriarca que se sente confuso com tantas alterações emocionais e afectivas na família.

O casal de meia idade que mantém a paixão e a alegria da juventude.

 

E ainda não cheguei à lua cheia!

 

Voltemos então ao início:

Uma viúva trintona (Cher) janta num restaurante italiano com o namorado, um solteirão menino-da-mamã. Ela própria já assume um papel maternal com este homem. Lá pela sobremesa, ele resolve declarar-se. Ela exige que se ajoelhe. E isto em pleno restaurante. Ele obedece. Ela insiste, refilona: Where is the ring?

Ele improvisa e retira o seu próprio anel do dedo mínimo. Terá de servir por agora.

Ela acompanha-o ao aeroporto. Ele vai à Sicília ver a mãe que está nas últimas... (em breve saberemos que a mãe ficou nesse estado ao saber que o filho ia casar).

Ela dá-lhe conselhos maternais. Ele aceita-os naturalmente. Despedem-se.

Ela fica a ver o avião partir. Ao seu lado está uma velhinha aparentemente inofensiva, vestida de escuro. E diz-lhe que acaba de lançar uma praga sobre o avião para que caia no oceano. É que no avião segue a sua irmã, que lhe roubara o homem que amara na juventude, e que agora até lhe confessara nunca ter gostado dele. Ela não se deixa impressionar, é uma mulher prática: I don't believe in curses...

 

Ela volta a casa, encontra o pai na cozinha e dá-lhe a grande novidade. O pai nem quer acreditar que ela quer casar de novo e logo com aquele big baby!

Vão até ao quarto contar a novidade à mãe (fabulosa Dukakis) que abre os olhos quando os vê entrar e num queixume pergunta: Who's dead?

E o mote está dado. Sempre em crescendo, os acontecimentos precipitam-se, acompanhados por uma magnífica lua cheia!

 

Quem poderia sequer imaginar que um simples convite de casamento, ao único irmão do namorado, iria despertar nela a paixão e revelar-lhe mesmo uma dimensão do amor que nunca tinha vivido? Esta cena é mesmo impressionante! Um jovem atormentado, porque perdera a mão e a noiva e tudo em sequência... e que por toda essa desgraça ainda culpava o irmão... I lost my hand! I lost my girl! I lost my life! And my brother Johnny is getting married! Sim, um jovem sensível e teatral, que mora por cima da padaria onde trabalha e que ouve ópera a toda a hora.

Enquanto ela lhe prepara um bife mal passado, ele coloca o disco a tocar. Ela olha-o tranquilamente a comer com apetite, this is good, e responde às suas perguntas curiosas: sim, fora casada mas teve bad luck, o marido morrera atropelado pouco depois do casamento, não, nunca casara de novo, sim, ia casar com o Johnny... Ele alerta-a para o erro, fora por causa do irmão que perdera a mão, e ela até poderia perder a cabeça.

Bem, a partir daqui terão mesmo de ver o filme!

 

 

 

 

 

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publicado às 20:53

O musical voltou!

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 21.03.09


Sim, o musical voltou! Mamma Mia!

Com todas as regras que se esperam de um musical. E não é nada simples montá-lo! Porquê?

Para já, o ritmo, o timing. É como na comédia, o timing é o segredo.

Depois, o equilíbrio final: as canções têm de se enquadrar na sequência das cenas. E já sabemos de outros musicais como isto é difícil, meter a canção certa no tempo certo, sem parecer uma colagem por cima da cena, o que provoca o riso dos espectadores. Em Mamma Mia! isso também acontece (é inevitável), mas não lhe retira o sabor, e o sabor... é o mesmo do velho musical! Sim, com todos os ingredientes: emoção, sentimentos, conflitos, romance, amizade, humor. Está lá tudo!

 

A escolha dos actores: aqui é mesmo brilhante. A Meryl Streep está fabulosa! A mímica, a expressão, o humor,  e aquela voz! Voz perfeita para a música country, sem dúvida. E que se adapta perfeitamnte à canção pop ou à Broadway. E vê-se que delirou cantar e dançar! O Pierce Brosnan, igualmente fabuloso! Mesmo que o tenham criticado (who cares?) neste papel, gostei daquela voz à Peter Gabriel e se fica um pouco estranho nalgumas canções, como a SOS, é com tanta convicção que as interpreta... que chega a ser enternecedor. (Já sei o que estão a pensar, que perdoaria tudo ao Pierce Brosnan porque é tão atraente... seus marotos.) Bem, todos eles estão perfeitos no papel. E quem diria que o Colin Firth sabia cantar, ein?

 

A coreografia: impecável. Há mesmo momentos fora de série: a cena inicial da rapariga e as damas de honor; a sequência da Meryl Streep com os três homens daquele verão há 20 anos; todas as suas cenas com as  amigas inseparáveis; a sequência da praia em que as mulheres põem os homens k.o.; o grupo de mulheres que se vai juntando a uma Meryl Streep inspirada, acabando a mergulhar no mar...

 

Os enquadramentos: agora compreendo porque tantos escolhem a Grécia para passar férias...

 

Quanto à acção: o tema "casamento" pega sempre bem nos musicais. E neste caso, com o sabor do suspense: quem será o pai da rapariga? E porque é que a mãe da rapariga nunca arriscou uma nova relação amorosa?


Como nos romances, há o herói e a heroína, neste caso a mãe da rapariga e o homem que voltou para ficar com ela mas que a soube noutros braços... Também nos romances há o encontro e o desencontro... (Aqui voltarão a encontrar-se.)



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publicado às 21:13


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